ENTREVISTA ao JOGADOR BRAVO


 

Como é que começou no Futebol Popular?

Estou no futebol popular desde a 1ª edição. A cerca de 16 anos um amigo abordou a ACD Carapeços, com a ideia de iniciar em Barcelos um campeonato inter-freguesias, visto que nessa altura a nível local só existiam os torneios organizados por diversas associações. Na época eu tinha funções directivas na associação, achamos uma boa ideia, e reunimos em minha casa, eu, o David de Alheira (o homem que trouxe o projecto), o David Marinhoa e o Prof. José Fernandes. Delineamos os moldes organizativos contactamos algumas associações a participar e arrancamos. Achei que era uma competição interessante, e tendo contribuído activamente para a criação da prova cativou-me fazer parte dela como atleta.

Tinha competido  em outras Associações?  

Sim, competi em várias associações. Iniciei a minha actividade desportiva na ACD Carapeços a cerca de 26 anos, nos torneios que se organizavam pelas aldeias próximas, lembro-me de jogar o meu 1º torneio em S. Salvador do Campo, tinha 14 anos, mantive-me a esse nível até aos 18, quando surgiu um convite para jogar na associação de futebol de Braga, nomeadamente no Vila Chá, aceitei o convite mantive-me lá 2 épocas e depois mudei-me para os Estrelas de S. Pedro onde permaneci cerca de 6 épocas, voltei a ACD Carapeços após estas experiencias para jogar no campeonato popular onde ainda me mantenho.

 O que lhe levou a aceitar competir no Popular  e nomeadamente no clube da sua terra?

Foi pura e simplesmente a paixão pelo jogo, aqui no futebol popular se seguirmos a essência para a qual o campeonato foi criado, conseguimos sentir o gosto pelo jogo semana após semana. Trocar o futebol federado pelo popular foi em questões financeiras um passo atrás, em questões desportivas claramente fiquei a ganhar. A alegria emposta nos treinos no meio dos amigos de sempre duas ou três vezes por semana no tem preço.

A escolha pela ACD Carapeços deve se aos laços de amizade que eu tinha naquela associação, e conhecer a boa organização que aquela instituição tinha, e claro a sede de vencer títulos que  esta associação me podia porpocionar.

 

Entrou e nunca mais saiu: Quais foram as razões para esta continuidade no mesmo projecto?

 Minha resposta vai de encontro a anterior entrei e nunca mais saí, porque encontrei neste campeonato a alegria e gozo pelo desporto que sempre pratiquei. Depois de alguns anos no futebol federado diga-se até com bons resultados desportivos, a preocupação dos dirigentes dos colegas, e até dos adeptos com os valores que cada atleta ganhava tornou-se desgastante, também na altura surgiu uma proposta interessante para dar o salto para a 2ª divisão nacional, mas os negócios escuros do mundo do desporto com os quais não aceitei pactuar fizeram com que eu abandonasse cedo o futebol federado.

Já teve várias experiencias no clube. Que aspectos positivos gostaria de realçar?

De positivo claro são os títulos ganhos, mas melhor do que isso é o convívio e as amizades que se fazem dentro e fora da associação. Mas um aspecto que devo realçar é a facilidade com que quem chega de novo ao clube é absorvido por toda a gente e rapidamente faz parte da família da ACD Carapeços.

 

Que significado tem para si a ACD Carapeços?

É difícil encontrar adjectivos para definir a ACD Carapeços, e o seu significado. Mas posso dizer que ao longo de todos estes anos a associação foi uma segunda família, ajudou-me a crescer, e tem grande responsabilidade naquilo que me tornei desportiva e pessoalmente. Nesta casa fiz e continuo a fazer grandes amigos.

 

Tem uma carreira de muitos  títulos. Consegue ter ambição para continuar a jogar e ganhar?

Os títulos nunca são suficientes, e ambição continuo a ter muita e felizmente só sei jogar para ganhar. 4 Campeonatos, 5 taças cidade de Barcelos, 1 super-taça, 1 taça da federação popular do Norte e 4 títulos individuais, e um palmarés agradável mas nunca suficiente. Os mais de 300 jogos efectuados no campeonato popular pronunciam que os anos passaram e o arrumar das luvas esta próximo o ultimo jogo esta a porta, qual?

 

Que referências tem no futebol Popular; Dirigentes, Jogadores, e Treinadores?

O futebol popular é feito de gente que dá o seu tempo e sabedoria na maior parte das vezes por carolice. E é lógico que no meio de tantas pessoas corro o risco de ser injusto com alguém mas no dirigismo a pelo menos duas pessoas que me merecem algum destaque o Paulo Barbosa director desportivo da ACD Carapeços, pilar importante na organização e estabilidade desportiva um grande dirigente e um amigo enorme e o Prof. José Fernandes pessoa fundamental na organização desde do 1º campeonato popular, pelo equilíbrio e pela perícia imposta ao encontro de soluções justas.

Treinadores, existe no futebol popular uma figura incontornável a nível de treinadores o “Baganha”, treinador exigente, mas com um coração do tamanho do mundo. Tive o privilégio de ser orientado por ele durante algumas épocas, nem sempre é compreendido, mas quem com ele priva e lhe conhece as intenções, pode afirmar que trouxe para o popular uma nova filosofia e rigor a competição.

Jogadores, esta parte e muito difícil mas as maiores referencias que tenho, são aqueles que comigo treinam todas as semanas, ao frio e a chuva por amor a camisola ao longo destes 15 anos de popular. Mas uma palavra de apresso ao Rafa um miúdo com qualidade acima da média que consegue devido ao seu trabalho sentar-me no banco, até agora ninguém o tinha conseguido, força menino. E claro aqueles que me acompanham a mais tempo o Bruno, o Zé Caina e o Pires.

Como tem acompanhado a evolução do Futebol Popular?

Acompanho a evolução do campeonato popular  com bastante satisfação, nestas 15 edições, o crescimento qualitativo da organização faz-se sentir de ano para ano. Nota-se um grande esforço das sucessivas direcções do popular para melhorar cada vez mais a nossa competição, quer no apoio aos clubes (principalmente nas provas inter-concelhias), mas a maior evolução na minha opinião é no sector sensível da arbitragem, a melhoria dos árbitros e a aposta na sua formação veio melhorar claramente este sector.

O aparecer diversos campeonatos como os juniores, o feminino e as escolinhas é acautelar o futuro desta competição. Falta agora a organização criar uma competição de veteranos.

Que precisa de mudar na sua opinião.

Não vejo que seja possível proceder a grandes alterações, conheço diversas opiniões diferentes sobre o modelo e formato competitivo dos campeonatos, alguns defendem o fim do limite de estrangeiros nas equipas, outros a sua continuidade, eu pessoalmente concordo com as actuais regras da competição. Precisamos de acabar com o pagamento de prémios a atletas, há algumas equipas que usam estas práticas para serem mais competitivos e acabar com as” legalizações “ de atletas com alterações de moradas com a conivência das juntas de freguesia

 

Que mensagem  gostarias de deixar?

A mensagem que gostaria de deixar a todas as associações é que se lembrem com que objectivo foi criada esta competição. Dar oportunidade a todos os atletas que não tem capacidade de carreira poderem praticar desporto. Dar a possibilidade aos jovens de cada localidade poder fazer parte da sua própria associação. E acima de tudo ter prazer de jogar futebol.

Elaborado por:

José Pernicas da Silva,, em parceria com o Cávado Jornal.

Publicação 13 JUNHO 2009.