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Entrevista ao jogador da ACDC Manuel Tomé
  
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Associação Desportiva Cultural  de Carapeços . Fundada em 16 de Novembro de 1988
 
  
 
Campeonato Popular de Barcelos  Fundado  em 1994
 
Campo de Futebol foi inaugurado
 a 27 de Setembro de 2001.
Relvado em Setembro (22) 2017
 
 
 ACDC NO Faceboook
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Plantel Sénior 2012-2013.

 G. Redes. Jonas,  Correia e  Costa.Naifas'

Defesas.

 Miguel, Costinha, Filipe,João, Hélder, Puma, Zé Cana,Octávio, Pombo.

Médios. ,Tátá,Bico. Maradona, André, Pedrinho, Né, Hélder. Rita, Romeu,Ventura.

Avançados.  Briosa , Coutada. Miguel. Gleidson,Mendes,Miguel Costa.

Melhores Marcadores 2012-2013     "Campeonato."

Briosa       16 Golos

Coutada 8 Golos

Bico         4 Golos

João       3  Golos

André 2 Golos

Né 3 Golos

Samuel 3 Golos

Gleidson 2  Golos

Miguel Costa 2 golos

Octávio 2 golos

Maradona 1Golos

Tátá     2      Golos

Miguel Costa 4 Golos 

Octávio   1 golos

Filipe     1 golos

 

Total       55 +2 Au   Golos

Após 29   Jornadas

 

 

Taça Federação

Bico 7 Golos

Briosa 5 Golos

Coutada 2 Golos

Miguel Costa 2 Golos

André   1 golos

Filipe 1 Golos

Tátá 1 Golos

 Após 3 Jornadas  2ª Fase

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Plantel Feminino.2012-2013

Marta. Cláudia, Carla,Filipa, Mariana, Casanova,Té, Andreia  ,Cátia,Raquel, Joana.Marcia, Fátima, Fatinha Rita.

Melhores Marcadoras 2012-2013     "Campeonato."

Cátia 98 Golos

Raquel     27  Golos

Joana     23 Golos

Mariana   13 Golos

Té            4  Golos

Rita     3 Golos

Filipa     2 Golos

Andreia  1 Golos

Total      99+1  Golos

Após 22 ª Jornada

 
 
 
PARA VER FOTOS DA ENTREGA DO TROFÉUCLIQUE NA FOTO

 

 

FUTEBOL SENIOR " BREVEMENTE DAREMOS A CONHECER OS MARCADORESDOS 99 GOLOS  MARCADOS ESTA ÉPOCA.....

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

FUTEBOL JUNIOR "  marcadores de todos os golos " jonas 5,  Gil 5, J.Paulo 4, Maradona 3, André 3 , Zé Carlos 2, Varela 1, Costa 1.Taça,,, Maradona 4, Sérgio 2, Varela 1, Zé Carlos 1,Pimba 1. Jonas 1... 

 

 

 curiosidades, Mister dantas fez 123jogos ao serviço daacdc venceu 88 vezes, empatou 24, perdeu 13, marcou 253 golos sofreu 76 em todas as competições desde  13/o3/2008,,,a 13/04/2011,Ricardo jogou 14jogos seguidos 90 minutos em campo , totalizou 1260 minutos  sem ser substituido, a suaparagem aconteceu no dia 26 de Dezembro no jogoacdc-oliveirapara ataça de barcelos.  "ROMEU " FEZ 223JOGOS , VENCEU 153 VEZES ,,,EMPATOU 42, PERDEU 27 VEZES  MARCOU 77 GOLOS  E ESTEVE AUSENTE  POR  17JOGOS EM TODAS AS COMPETIÇÕES  DESDE A SUA ENTRADANA ACDC 26/07/2004 A 13/ 04/ 2011,,,, 


Seniores/Masculinos  

       2011-2012 

 

 

Clique na foto para ampliar

ALBUM DE FOTOGRAFIAS DA FINAL DA TAÇA FFPN.

 

VIDEO DA FINAL DA TAÇA FFPN

 

VIDEO DA FINAL DA TAÇA DE BARCELOS 1ª PARTE.

 

 

 

 acompanha as nossas equipas a novas conquistas,,, 

  

 
 
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Fonte da Notícia

 

 

 

 

Nome: Manuel Francisco Real Tomé

Natural: Carapeços

Residente: Carapeços

Profissão: Medidor orçamentista

Data de nascimento. 16/01/1967

Habilitações: 9º ano escolaridade

Última posição. Defesa central (libero)

 

O Manel foi um jogador, que desde muito jovem começou a dar nas vistas na equipa do Carapeços, ainda com a idade de júnior já era o melhor marcador em torneios que a equipa sénior participava. Mas para lá chegar muito contribuiu a sua vontade e gosto pelo futebol, naquele tempo, a ACDC não tinha campo como todos se recordam e foi no largo da Areeira, que juntamente com o Zeca, o Toninho, o Tropa, o Leixe e outros, que não me recordo agora, jogavam ali todos os Domingos de manhã, daí até ao sucesso como jogador foi um instante, e fez dele o jogador mais completo de todos os tempos da ACDC, com mais de 300 jogos como titular, mais de 100 golos marcados (marcou golos em todas as competições que entrou, excepto o último campeonato) e com mais de 10 anos como capitão da equipa.

 


Desde 1994 que faz parte dos órgãos sociais do clube, há cinco épocas atrás quis pôr fim à sua carreira, mas como ainda tinha uma boa condição física aliada à experiência adquirida manteve-se em actividade, pondo mais esses atributos ao serviço da equipa, voltou a calçar as chuteiras e com ele a comandar a defesa, contribuindo para que ACDC fosse a defesa menos batida no Campeonato em duas épocas, até que uma lesão complicada no início da época passada pôs fim à sua carreira. A partir daí manteve-se nas funções de director, acompanhando sempre os seus colegas de balneário em todos os jogos. A sua humildade ao longo de toda a sua vida desportiva fez dele um bom amigo do grupo dentro e fora da ACDC. Como jogador esteve em todos os títulos da equipa. Em Outubro de 2005 decidiu avançar para a vida politica, exercendo agora as funções de secretário da junta de freguesia. Chegou a hora de o Carapeços on-line lhe fazer esta grande entrevista.

 


C.O. Nunca duvidei do teu amor pela ACDC o teu comportamento dentro e fora das quatro linhas foste sempre uma pessoa exemplar, onde nasceu toda essa paixão e essa qualidade?


M.T.A paixão e o carinho que tenho pela ACDC, nasceram um dia, talvez no primeiro dia que joguei pela equipa, talvez no momento que marquei o primeiro golo, esse sentimento foi aumentando dia após dia, momento após momento e chegou até aqui.


C.O. Porque cresceu tanto?

M.T. Uma relação para ser forte e duradoura, seja ela qual for, tem que haver um dar e receber, e nesse aspecto não tenho razão de queixa, eu fui dando o que podia à ACDC, e a ACDC sempre me deu muito, muito mesmo, desde de momentos de prazer únicos a jogar futebol, a muitos conhecimentos que tive com pessoas ligadas ao futebol e daí os muitos amigos que fiz no futebol, claro que no saldo final sinto-me em divida para com a ACDC, porque sinto que ela me deu muito mais do que eu lhe dei. Penso que a minha vida nalguns aspectos seria muito diferente se nela não existisse a ACDC.
 
C.O. Sentes-te um jogador realizado em toda a tua carreira com jogador da ACDC?

M.T.
Sinto-me contente e tenho orgulho no meu passado como jogador, se no geral as pessoas orgulham-se do palmarés da ACDC, eu também tenho orgulho no que fiz como jogador, porque felizmente o que a ACDC ganhou eu também ganhei, para além de mais alguns pequenos títulos que ganhei fora da ACDC. Agora como jogador de futebol gostaria de ter sido jogador profissional, viver 24 horas por dia para o futebol, aí sim é que me sentiria realizado completamente como jogador de futebol.


C.O. Fostes sempre um grande capitão da equipa da ACDC, estávamos na época 2000/2001, lembro-me que também fizeste parte de um motim de jogadores que assinaram um documento em que pedia o afastamento do Sr. Carlos Silva como treinador. Foi-te até retirada a braçadeira de capitão, lembras-te?


M.T.O documento representava a vontade da maioria dos jogadores, incluindo a minha claro, (penso que só houve dois jogadores que não a assinaram), como capitão da equipa achei que devia estar do lado da maioria dos jogadores.
A braçadeira de capitão foi-me retirada, tinha que aceitar a decisão, só não concordei com a forma como foi feita. Foi uns minutos antes do jogo com o Milhazes em Barqueiros, já no balneário o presidente comunicou que o treinador tinha ido embora, mas que a carta assinada pelos jogadores não tinha contado para mandar o treinador embora, no entanto tinham de fazer alguma coisa e que o capitão iria ser outro jogador. Embora não achasse justo pois dava a entender que o culpado de tudo tinha sido eu, aliás, como alguns directores, que ainda antes do jogo me disseram “não penses agora nisso, vai lá para dentro e joga, que nós vamos resolver isto durante a semana”, aceitei fiz o jogo como nada se passasse, vencemos o jogo por 1-0 com um grande golo do Zeca num remate de fora da área. Nunca o meu rendimento dentro do campo foi condicionado por questões que se passaram fora do campo, muito menos ter ou não ter a braçadeira de capitão, não quero dizer que não goste de ser o capitão é claro que gosto e tenho orgulho de o ter sido durante muitos anos.


C.O. Se fosse hoje procedias da mesma maneira?


M.T. Se fosse hoje teria manifestado esse descontentamento verbalmente à direcção, mas a mensagem era a mesma, parecia-nos que o melhor para a equipa era mudar de treinador, havia um líder mas não acreditávamos nele e isso é mau, numa conversa que tive com o Sr. Carlos Silva foi isso mesmo que lhe disso, ele não conseguia passar a mensagem, ou melhor não acreditávamos no que ele dizia. A equipa até ia ganhando mas não jogava bem não tinha confiança no que estava a fazer, o descontentamento e a desmotivação era geral. Os jogadores acharam por bem manifestarem isso à direcção e fizemo-lo. Agora, parece-me que o problema foi mal tratado pela direcção, de um problema passamos a ter vários problemas e isso foi muito pior. Ainda conseguimos salvar a época indo às meias-finais da Taça da Federação e vencemos a Taça cidade de Barcelos, com o Toninho a treinador.
 
C.O. És o jogador com mais jogos realizados, o jogador mais vezes capitão de equipa; o jogador com mais golos marcados, foste um jogador polivalente, jogaste em três posições, defesa central, (mais vezes) médio (às vezes) e avançado! A pergunta é como se sente um jogador que deixa para trás este basto curriculum?


M.T. Sinto satisfação por ter contribuído, assim como muitas outras pessoas para engrandecimento desportivo da ACDC, por levarmos a ACDC até ao topo do futebol popular do concelho de Barcelos e ser uma equipa respeitada em alguns concelhos do Norte do País, por levarmos o nome da nossa Freguesia para esses concelhos e deixar uma boa imagem. Agora temos de trabalhar para a manter lá em cima e é preciso estarmos cientes que esse esforço tem de ser feito por todos. Todas as pessoas que gostam da ACDC, devem estar junto dela, cabemos todos na ACDC e todos fazem falta, há muito que fazer na ACDC. Eu vou lutar sempre por essa união.


C.O. Foste sempre uma pessoa com uma postura exemplar custa-te ler alguns comentários quando se trata de dizer mal da ACDC.


M.T. Não devemos, digamos, por uma questão de orgulho ou afirmação pessoal, virar as costas à ACDC e passar a dizer mal e a por tudo em causa. Claro que cada um é livre e faz aquilo que lhe apetece e o que é melhor para ele. Embora a mim custa-me aceitar isso, ver pessoas a sair da ACDC e depois ainda custa mais ouvir essas pessoas dizerem que gostam tanto ou mais da ACDC que as pessoas que sempre ficaram na ACDC. Estas coisas foram acontecendo ao longo dos anos e para mim é óbvio que enfraquecem a ACDC.
Se gostamos da ACDC, todos nós devemos ter por objectivo número um, servir a ACDC, disponibilizarmos para fazer o que se achar melhor para a ACDC e isso implica sacrifícios, ser tolerante, sofrer até injustiças e aceita-las. Agora só aceitamos tudo isso se realmente gostamos da ACDC, caso contrário não aceitamos esses sacrifícios e então é mesmo melhor ir embora
.


C.O. Foste um jogador polivalente, jogaste em três posições?


M.T. Comecei como avançado, ponta de lança, estilo daqueles que toca uma vez na bola e marca um golo, num torneio em Salvador já lá vão para aí uns vinte anos, num determinado jogo marquei cinco golos em 30 minutos, durante a semana até pensava que não ia jogar mas chegou a hora do jogo e fiz o jogo, só no quinto golo é que dominei a bola e depois chutei os outros golos foram todos remates de primeira, incluindo um penalti, de cada vez que tocava na bola marcava um golo, relativamente a este jogo há dois anos quando estávamos a festejar aqueles títulos todos, estava junto ao Mister Graça Pereira, às tantas toca o telemóvel dele, alguém lhe dá os parabéns pelo títulos e depois fala-lhe que uma vez sofreu, suponho que era o guarda-redes, cinco golos em 30 minutos do defesa central do Carapeços, o Mister Graça Pereira diz-lhe que eu estava lá ao lado dele e passou-me o telefone, conversamos um pouco sobre esse jogo, mas sinceramente não sei quem é essa pessoa.


C.O. Fazias algum treino específico? Individual ou em conjunto?


M.T. Eu sabia das minhas limitações, sei que não sou nem nunca fui um jogador evoluído tecnicamente, por isso chutava quase sempre de primeira, e desenvolvi muito esse aspecto, que é bom para um avançado, na casa dos meus pais existia uma eira e de um lado da eira tinha um muro alto, da altura de uma baliza, e passei muitas horas a chutar a bola sempre de primeira contra o muro, uma vez com o pé direito outra vez com o pé esquerdo, às vezes a bola subia e lá ia para o vizinho.
Ao longo da carreira fiz todos os lugares pelo centro do terreno de jogo, defesa, médio e avançado, lembro-me que ainda nos juniores, num torneio Salvador fiz um jogo a defesa central, o treinador era o Pedro Mota, num outro jogo pelo Salvador do Campo com o Brufense que ganhamos 1-0 ou 2-1, fiz o jogo a médio, nessa altura teria 20/21 anos. A certa altura, penso que o treinador era o Jorge, actual presidente, que me pôs a central a partir daí joguei praticamente sempre a central. Já me esquecia também já fui guarda-redes, num torneio ainda quando estudava no seminário de Braga, era o guarda-redes suplente, só que nunca entrei em jogo, nem 1 minuto fiz e a nossa equipa ganhou o torneio.
Nunca pedi para jogar nesta ou naquela posição, queria era jogar, o que não posso fazer agora, actualmente sinto saudades de jogar, de viver o jogo, de ter uma missão e poder corresponder ao que me é pedido, de sentir a confiança do treinador em mim, para quem joga futebol sabe o que isto é, e sabe como isso é bom, deve ser o chamado vício. Ultimamente tenho sonhado muitas vezes que estou a jogar futebol, mas agora infelizmente é só em sonhos.


C.O. Afinal que tipo de lesão te fez abandonar o futebol ao meio da época?


M.T. É uma rotura de ligamentos no joelho direito, para voltar a jogar tenho de ser operado.


C.O. Em que posição te deu mais gozo jogar, se calhar a ponta de lança não?Sempe  há mais possiblidades de marcar golos?


M.T. As pessoas lembram-se de mim como avançado ou como defesa, poucos são os que lembram de mim como médio, mas foi a médio que mais gostei de jogar, aí estamos sempre em jogo e sentia-me bem a defender e atacar, de jogar de área a área como agora se diz.


C.O. Na tua vida de jogador jogaste sempre na ACDC ou saíste alguma vez para representar outra equipa?

M.T.Comecei a jogar na ACDC, aos 18/19 anos já tinha ganho alguns prémios de melhor marcador, nessa altura o Salvador entrou nas provas da Associação de Futebol de Braga e convidou-me para jogar lá, como era novo aceitei, as coisas até estavam a correr bem mas como entretanto tive que ir para a tropa, as coisas complicaram-se um pouco para mim e a partir daí jogava pouco, No fim do serviço militar regressei ao Salvador 1 ou 2 anos, depois disso eles deixaram de participar no campeonato da Associação de Futebol de Braga. Foi o único período que joguei por outra equipa e foi nesse período a única vez que defrontei o Carapeços, num jogo treino ao meio da semana que o Carapeços lá foi fazer a Salvador. Ao longo destes anos foram aparecendo alguns convites como do Baluganense, dos Estrelas de S. Pedro, agora mais recentemente à 2 ou 3 anos do Alvelos e do Courense acho eu, não sei bem qual foi a equipa porque eles nem falaram comigo, fizeram uma abordagem por terceiros eu disse que não e ficou por aí. A partir do momento que a ACDC começou a fazer 25/30 jogos por ano, não havia razão para procurar outro clube para jogar futebol.  

 


C.O. Como foi aquela tua decisão de arrumares as chuteiras e voltares a jogar na acdc e que tanto útil foste?


M.T. Foi no início da época 2001/2002 a direcção queria que o Zeca e eu fossemos treinadores/jogadores. O Zeca era o treinador principal, por isso pôs logo de parte a hipótese de continuar como jogador, eu também quis deixar de jogar, no entanto fui inscrito como jogador mas só jogaria quando o número de jogadores disponíveis fosse insuficiente, acabei por fazer alguns jogos. A época não correu como desejávamos, o projecto era de uma direcção entretanto houve mudanças na direcção, também foi a primeira época do Paulo como responsável pela equipa, foi a primeira época que jogamos no nosso campo, tinha havido muitas mudanças, havia muita inexperiência, eu e o Zeca tiramos as nossas conclusões e pusemos o lugar de treinadores à disposição da direcção. A direcção achou por bem fazer algumas alterações, mudar certas coisas e nós deixamos de ser treinadores, começaram a preparar a próxima época, o Paulo falou comigo para continuar a jogar, achavam que ainda poderia ser útil, fiquei contente e claro que aceitei.


C.O. Olhando para traz na tua longa carreira, e referindo-me a jogadores de Carapeços que já deixaram de jogar, e que te deixaram grandes lembranças! Queres recordar aqui alguns?


M.T. Recordo-me de um que praticamente me acompanhou sempre que foi o Zeca, começamos na mesma altura e éramos amigos e confidentes tanto dentro como fora do campo, marquei muitos golos após passes do Zeca, de vez quando também o deixava marcar uns golitos… espero que ele não leia isto, fora de brincadeiras o Zeca foi um médio muito completo, do melhor que passou pelo Carapeços. Existem muitos outros que me lembro por uma razão ou por outra, desde do apoio que me deram quando comecei a jogar, outros pela exigência que tiveram connosco nessa altura, outros pela qualidade técnica que tinham, pelos golos marcados, outros por algum episódio que ficou marcado na memória, alguns dos estrangeiros pela qualidade e pelo empenhamento e dedicação ao clube, já vi jogadores ditos estrangeiros a chorar no final de jogos em que saímos derrotados, outros pelo humor no balneário e isso é muito importante, o Carapeços tem um bom balneário com momentos de muito humor. Podia citar muitos nomes, não cito, porque poderia esquecer algum o que seria injusto, a todos agradeço por me terem ajudado.   


C.O. Pelo que vi deixas-te de jogar, mas nos jogos fossem dos juniores ou dos seniores lá te encontrava a presenciar com muita concentração, pensas enveredar a partir daqui a carreira de treinador?


M.T. Há muito tempo que venho alimentando a ideia de um dia treinar uma equipa de futebol, já recebi incentivos de várias pessoas para um dia treinar uma equipa, aliás, já houve treinadores do Carapeços que chegaram ao pé de mim e disseram para fazer a constituição da equipa para alguns jogos. Nunca procurei chegar a treinador rapidamente, mas quero ter essa experiência, nem que seja para ao fim de 3/4 meses dizer para mim mesmo, Manel vai-te embora que não percebes nada disto. Tenho a minha maneira de ver e estar no futebol, se conseguir por uma equipa a jogar da forma que eu penso julgo que será uma boa equipa. Já tive a oportunidade de treinar no passado, mas não era a altura certa. Surgiu agora a hipótese de treinar a equipa júnior da ACDC na próxima época, como já não posso jogar, como tenho a vontade de ter essa experiência de treinador, também para me manter em actividade e não me acontecer como a algumas pessoas que deixaram de jogar e engordaram muito, aceitei e estou com vontade de começar.


C.O. Eu sei que é impossível pedir a jogadores que nada ganham, mas achas que esta equipa de Carapeços se fosse mais responsável em termos de assiduidade aos treinos, teria outros resultados? Ou foram outros factores que estiveram no falhanço dos objectivos traçados nestas duas últimas épocas?


M.T.
A linha que separa o sucesso do insucesso em futebol é muito estreita, às vezes são pormenores que não podemos controlar que originam a perda ou a conquista de um objectivo, claro que não ganhamos nada nas duas últimas épocas mas não podemos dizer que não se trabalhou, que não se lutou, que não se procurou melhorar os aspectos que nos pareciam estar menos bem, que não houve evolução em alguns jogadores, isso foi feito, independente dos títulos que não conquistados. Relativamente à assiduidade aos treinos, claro que quanto mais tempo de treino tivermos mais poderemos evoluir, tanto no aspecto físico como técnico e táctico, que conciliados com um estado psicológico, digamos limpo e mentalmente preparados para os jogos, garantem quase sempre bons resultados. Agora os jogadores do Carapeços quando faltam a treinos é porque têm razão para isso, não faltam porque está frio ou está a chover ou estão chateados com as opções do treinador, isso não acontece.
Indo ao encontro do que disse atrás no que respeita ao estado psicológico e mental de uma equipa, considero estes aspectos de igual importância como o treino físico para atingir os objectivos. Por isso não podemos olhar para estes problemas só por uma questão de tempo de treino, por vezes basta uns minutos ou uma atitude para motivar os jogadores e a equipa. Dando um exemplo às vezes vemos equipas que preparam um determinado jogo durante a semana, gastando muitas horas, chega o jogo e as coisas não correm como esperavam e vemos que em 10/15 minutos no intervalo do jogo o treinador consegue fazer aquilo que não se conseguiu durante toda a semana.


C.O. Porque falharam dos objectivos traçados nestas duas últimas épocas?


M.T. Como já disse atrás perdemos alguns jogos decisivos pelos tais pormenores, podia citar alguns desses jogos, mas não vale a pena, porque já são do passado, como eu dizia aos meus colegas “na história do passado não podemos mexer, está feita, podemos fazer é a história do futuro”. Para fazer a história do futuro tem que existir uma vontade de vencer sempre, de sentir prazer em ganhar jogo após jogo seja contra uma boa equipa seja contra o último classificado, nunca nos cansarmos de ganhar, de manter a humildade para haver um maior espírito de sacrifício e entreajuda. Pelo facto de ganharmos três títulos num só ano, não passamos a ser melhores jogadores do que éramos, somos os mesmos jogadores, de um momento para o outro interiorizamos que somos melhor equipa, mas esse sentimento só deverá ser sentido no dia em que conquistamos algo, no dia seguinte temos de nos por ao nível dos outros, senão dificilmente voltaremos a ganhar algum título, temos voltar a ter essa ambição dentro do balneário para ganhar mais facilmente. Um jogador que olha para o passado, que diz eu já ganhei isto e aquilo, no meu entender já está satisfeito não está a pensar em ganhar mais nada. Se não tens ambição no futebol nunca ganharás nada.


C.O. Em toda a tua carreira marcaste muitos golos, queres salientar algum? Fosse ele o mais importante para a equipa, ou o mais bonito?


M.T. O primeiro, foi em Salvador do Campo o Tiago faz um passe curto à entrada da área e eu já dentro da área com um remate fraco de primeira, tinha que ser, fiz golo e empatamos o jogo, ao festejar dei um salto enquanto estou no ar vejo o meu irmão David à minha beira com os braços abertos para me abraçar, é uma imagem que nunca mais esqueço, se calhar o David foi a primeira pessoa a acreditar no meu valor e que sempre me apoiou às vezes se calhar até exageradamente. Um outro que não esqueço e que me marcou foi em Durrães com os Lírios do Neiva para o campeonato popular, foi de livre directo chutei e foi golo, um golo normal até algo consentido pelo guarda-redes, só que foi marcado no dia seguinte ao dia do funeral do Tone do Arsénio, depois de marcar o golo lembrei-me do Tone, levantei os braços em direcção ao céu e disse para mim mesmo “é para ti Tone, obrigado por tudo o que fizeste por nós”, foi um momento que me emocionei e não vou esquecer. O Tone foi um grande amigo e uma pessoa que trabalhou muito pelo futebol em Carapeços e não merecia que a vida lhe desse tanto sofrimento. 
  
C.O. És a favor dos convívios e passeios com os jogadores da ACDC? E qual o melhor até hoje por ti vivido?


M.T. O convívio entre as pessoas é bom e pode servir para fortalecer as ligações no grupo, embora às vezes podem cair em rotinas que não levam lado nenhum. Os passeios servem para o mesmo e ainda podemos visitar e conhecer um ou outro local. O melhor passeio? Não sei, gostei de todos, embora haja um que por tudo o que se passou e pelo que nos proporcionou nos lembremos mais dele, que foi o passeio a Mirandela.  


C.O. Qual o teu melhor momento vivido na ACDC e qual o pior?


M.T. Existem vários momentos, todos os jogos que decidiram títulos que nós os vencemos foram todos bons momentos. Outro momento que não esqueço foi no estádio do Gil Vicente com o público e em particular a claque pesadelo amarelo a cantar nas bancadas e plantel a cantar no relvado, foi bonito como muitos outros.
Quanto ao pior momento podia dizer algumas derrotas que tivemos, algumas bastantes marcantes que tiveram influência o que restava da época, mas o que me deixa ainda mais triste do que perder um jogo é quando a equipa se descontrolava emocionalmente, parecendo uma equipa banal sem força interior para se unir e lutar contra as adversidades e facilmente culpava toda a gente pela derrota e não era capaz de reconhecer os seus próprios erros. Uma equipa que não tem essa qualidade, essa humildade para assumir os erros e assim poder corrigi-los não poderá evoluir muito. E isso aconteceu várias vezes, perdemos jogos porque o adversário foi melhor, perdemos jogos em que realmente houve más decisões dos árbitros, contra isso nada podemos fazer, mas também houve derrotas que perdemos por culpa própria e aí impunha-se assumir a nossa responsabilidade. Uma derrota bem assumida e digerida é quase sempre a mãe de muitas vitórias. Nesse aspecto tive momentos tristes e de alguma tensão com os meus colegas. Houveram outras situações no passado que não adianta desenterra-las, mas não nos dignificaram e demos muito má imagem da ACDC e da nossa Freguesia.
Há um outro momento que me lembro não é pelo futebol foi pela situação caricata que se passou e que os meus colegas ainda hoje brincam comigo. Num jogo da Taça da Federação em Vila do Conde, não sei quem era o adversário, sei que ganhamos o jogo 3-2 e que chovia muito. Acho que o resultado estava 1-1, certa altura do jogo à uma jogada na nossa área o jogador adversário cai o árbitro não marca nada e o bandeirinha marca penalti, houve ali uma grande discussão, às tantas o árbitro vira-se para mim e diz eu sei que não foi penalti mas agora está marcado não posso fazer nada e daqui a pouco eu marco um penalti a vosso favor, falo com os meus colegas vamos lá que daqui a pouco ele marca um a nosso favor, o jogo decorreu mas nunca mais marcou penalti, nem num lance que o Queiroz sofre mesmo falta dentro da área, o que valeu foi que ganhamos o jogo, mas ainda agora sou gozado.
 
C.O. Qual foi o teu melhor jogo na ACDC?


M.T. Sinceramente não tenho opinião formada sobre qual foi o meu melhor jogo.


C.O. Quem te conhece sabe que ao longo da tua vida sempre tiveste uma grande estima pela a ACDC, ao aceitares entrar na política foi com o intuito de ajudar esta Associação?


M.T. Não contava que me colocassem questões sobre politica, nem quero falar de política aqui. No entanto só quero dizer o seguinte. O que me move não é só a ACDC, é do conhecimento público que a nossa Freguesia e as Associações que faço parte na direcção (ACDC e Associação de Pais), têm algumas carências e problemas que se têm arrastado, sem se resolverem há alguns anos, apesar do esforço e dedicação que muitas pessoas da Freguesia têm dedicado a essas causas. Eu penso que hoje temos melhores condições para resolver esses problemas do que tínhamos à um ano atrás. Quero também dizer que esta condição não é por eu fazer parte da junta.


C.O. Não quero aqui entrar em comparações, mas estás a seguir os passos do teu irmão "Assis" como jogador, como dirigente da ACDC e também como autarca? Foi uma decisão apenas pessoal? Ou o Assis aconselhou-te aceitares a vida politica da forma com foi?


M.T. São meras coincidências, não procuro seguir os passos de ninguém, nem como jogador nem como dirigente. Joguei futebol como sabia e como me pediam, no resto disponibilizo-me para ajudar a Freguesia, como outras pessoas já o fizeram e certamente o irão fazer no futuro.


C.O. Pensas ser fundamental existir uma boa relação entre a ACDC, a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal de Barcelos e daí o clube tirar vantagens?


M.T. Penso que sim. Enquanto membro de qualquer instituição, sempre procurei e continuarei procurar ter um bom relacionamento com as outras instituições, defendendo sempre os interesses da instituição que represente. Não se criam atritos ou maus relacionamentos por defendermos aquilo que achamos melhor para nós.


C.O. Costumas visitar o site do Carapeços? O que achas do projecto?


M.T. Costumo visitar regularmente o site. Penso que o Victor idealizou o site para o que ele é hoje, falei com ele várias vezes durante os treinos que ele fazia connosco à 3 ou 4 anos atrás, antes de ele ir para os EUA, na altura colaborei com ele ao fornecer alguns dados da actividade da ACDC, chegou a pedir-me para fazer as crónicas dos jogos, mas declinei porque certamente não teria a isenção necessária para o fazer. Está de parabéns pelo trabalho desenvolvido assim como as pessoas que colaboram com ele. Lamento apenas que alguns habilidosos, que se julgam intelectualmente e moralmente acima dos outros, usem o site para se manifestarem de uma forma que nem sequer se podem levar a sério.


C.O. Queres deixar alguma mensagem?


M.T. Quero agradecer ao Carapeços On-line, por se terem lembrado de mim e acharem que o que fiz como jogador tem algum valor, em termos de carreira desportiva estou grato a todas as pessoas que me ajudaram e proporcionaram tudo aquilo que tive.

 

Obs. 1. Encontrará na fonte da notícia http://www.carapecos.com/content/view/902/66/ várias fotos do atleta ilustrando esta mesma  página.

 

Obs.2.  Esta entrevista foi efectuada e publicada por José Pernicas da Silva no Carapeços online em 05 de Agosto  de 2006 .